
Zeza Amaral nos recebe na casa de seu filho Diego. O apartamento, na verdade uma república de estudantes, transforma-se, rapidamente, num palco e num botequim. Na mesa da sala, repleta de maços de cigarro, gravadores e garrafas de cerveja, ele canta e conta suas melhores recordações, enquanto aguarda, ansioso, o último debate que decidirá a eleição para a Prefeitura de Campinas.
Militante histórico do PT, não esconde sua predileção pelo candidato que mereceu o apoio do partido, no segundo turno. Pede, antes do começo da entrevista, que terminemos a sabatina antes da 22h. Difícil foi convencê-lo de que já era hora de botar ponto final na conversa e que o debate já começara há quinze minutos. Quando desembesta a falar, Zeza deixa os olhos se perderem no vazio, envolto pelas espirais do fumo. Depois de meses longe do cigarro, voltou a fumar. A cerveja, porém, é sem álcool desde que sentiu que estava ficando nostálgico demais.
Músico considerado nas bocadas, compositor popular, jornalista da velha guarda, cronista mais lido de Campinas, ex-lutador de boxe, ex-guerrilheiro, ex-dono de boteco, torcedor fervoroso da Ponte Preta, contador de causos, apaixonado incorrigível. Zeza é feito de extremos. Ao contrário do cinismo reinante nesta cidade, ele é dos homens que se negam a manter-se neutro nos momentos de crise. Sua opinião é importante e ele gosta de tomar posição em qualquer assunto, seja futebol ou política.
Figura popular, dessas que o cronista João do Rio definia como a “alma das ruas”, Zeza notabilizou-se também por ser boêmio convicto, conhecedor de muitas madrugadas e balcões. Sua história não anda separada da história de Campinas. De certa forma, ele ajudou a criar por aqui uma identidade cultural.
A entrevista que se segue é uma aula de humanidade, consciência política e bom humor. Na opinião do Cumbuca, as qualidades mais nobres e dignas que qualquer ser humano pode oferecer ao próximo. Boa leitura.

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