*** "Não fizemos nada neste dia: a ressaca venceu por nocaute".***


   

CUMBUCA EM BUENOS AIRES
"O dia em que caímos no tango"


Quando a intrépida equipe do Cumbuca soube que o vinho argentino estava mais barato do que uma garrafinha de água mineral, não pensou duas vezes: pendurou a respectiva conta nos butecos de Campinas e decidiu desbravar os botequins dos hermanos portenhos. E lá fomos nós!

A princípio quisemos ir de motocicleta, para conhecer melhor o continente latino-americano. Mas, como Che Guevara e Alberto Granado já haviam pensado nisso antes, nossa original equipe de reportagem preferiu passar um cheque voador e ganhar tempo. Não fizemos a revolução, mas o saldo do vôo foi positivo: cinco doses de vodka, oito taças de vinho tinto, uma coca-cola para rebater e quase um olho roxo pela insistência em fumar no avião.

Desembarcar em Buenos Aires com a camisa da Seleção Brasileira é uma experiência quase sexual. Ainda mais em plena Copa América, quando a rivalidade entre brasileiros e argentinos fica à flor da pele. Mas, como nossa intenção era apenas fortalecer os laços culturais com o país vizinho (além de beber, é claro), concordamos com o taxista que Maradona foi melhor do que Pelé. Fora dos gramados, naturalmente.

Nossa hospedagem se deu no Centro da Capital, na casa de Ana e Armando, parentes do cumbuqueiro Lucas, o argentino mais brasileiro do mundo. E fomos tratados a pão e água (OBS: deve-se sublinhar que os pães na Argentina são dádivas divinas e a água é artigo de luxo).

Logo na primeira noite, caímos no tango. Literalmente. Regra número 1: jamais dançar tango depois da terceira garrafa de vinho. E o cuidado deve ser redobrado se o vinho em questão for o inesquecível Fernandez Fierro.

Buenos Aires é uma cidade cercada de livrarias por todos os lados, o que impede a entrada natural da luz do sol. Por conta disso, faz muito frio e as mulheres andam cobertas demais para o nosso gosto - embora sejam charmosas tal e qual poemas ambulantes de Cortázar.

Nós, pouco acostumados com temperaturas negativas, fomos obrigados a beber além do combinado e a nos refugiar em cafés, pubs e inferninhos. Além de participar das inúmeras marchas de protesto que acontecem todos os dias – correr da polícia deve ser uma maneira de manter o corpo aquecido quando os termômetros registram alguns graus abaixo do zero.

A capital portenha tem tudo o que um boêmio pode esperar da vida: táxis em abundância e quase de graça; bares que nunca fecham cedo; vinhos bons e baratos e pessoas inteligentes para conversar. Chega a lembrar a nossa Campinas.

Da Argentina trouxemos as melhores impressões e algumas perguntas. Dentre as mais intrigantes estão:

a) Se todos os dias há, pelo menos, duas manifestações públicas contra o governo, por que o povo vota nos mesmos políticos de sempre?

b) Por que uma garrafa de água é mais cara do que uma garrafa de vinho?

c) Por que os argentinos conhecem a música brasileira, mas os brasileiros não conhecem a música argentina?

Bem, a história dessa viagem pode ser contada pelas fotos do presente ensaio, pois estamos ébrios demais para nos lembrar de tudo. A humilde e genial equipe de reportagem do Cumbuca , deportada após a vitória do Brasil sobre a Argentina na final da Copa América, apresenta agora a visão melodramática de uma cidade chamada Buenos Aires. Depois dessa viagem, sentimos que nós já não somos mais os mesmos. Mas isto também já foi dito antes.

 

 

subindo!

 

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