Depois da saideira

Depois da saideira | Cumbuca Bares e Botecos de Campinas
06 set 2017

Depois da saideira

Os idealistas românticos que me perdoem, mas para mim, um bom boteco é a melhor pedida para os primeiros encontros. Nada de escurinho do cinema. Não me venha com drops de anis. Troco a penumbra de uma sala com ar condicionado pelo aconchego da mesa sob a luz amarelada de um poste de rua.

Fico mais confortável nas cadeiras de plástico do que nas poltronas reclináveis e almofadadas com apoio para o refrigerante. Este, aliás, perde fácil para o amargo de uma cerveja bem gelada que derrete qualquer gelo que ainda possa existir. Dispenso a história que salta da tela gigante. O enredo que me interessa é aquele que se desenrola em companhia. Entre um gole e outro. Entre um flerte e outro. O estouro da pipoca cede lugar para a porção de croquete. A manteiga derretida dá espaço ao molho típico da casa.

A trilha sonora são as vozes misturadas de outros personagens que fazem figuração ou,  às vezes, fica por conta da tv ligada ao fundo transmitindo a rodada do futebol. Sou mais o diálogo que não segue roteiro. Prefiro o olho no olho sem pretexto para distração. O clima(x) acontece quando já não se lembra mais dos 10%.

Injustiçados como o destino de quem afoga mágoas e lamenta términos, os bares podem ser o cenário para o começo de um lance ou – quem sabe – um romance. Podem ser o trailer que cai bem como tira-gosto, o que me faz acreditar que existe final de feliz depois da saideira.


Natália Mota é publicitária e geminiana com Plutão na casa 3. Não consegue escrever em terceira pessoa, porque coloca no papel somente aquilo que sente. Vive por sebos, brechós e botecos.

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