Fora do bar fazia frio naquela noite de setembro. Dentro dele,
a calorosa acolhida da família Candreva e os calóricos
torresmos trataram de esquentar a alma de nossa
intrépida equipe.
Para o cumbuqueiro Júnior, a visita
ao Bar do Candreva
foi especialmente simbólica.
"Foi aqui que meu avô
me iniciou na libação, entre
garrafas de sodinha e
pipocas vovozinha", recordou,
a voz meio embargada
pela emoção e pelo efeito da décima garrafa de
cerveja.
Durante muitos e muitos anos este foi um dos melhores botecos da cidade, graças a figura ímpar do Candreva, que hoje está bebendo no botequim do céu. Depois da morte de seu fundador o bar passou por um período de instabilidade, perdeu o nome consagrado e a qualidade do frango assado e do joelho de porco, capaz de fazer lamber os beiços torcedores do Guarani e da Ponte Preta que superlotavam a casa em dia de jogo.
Aqui o tema merece um aparte: conhecido reduto pontepretano, o bar hoje é tocado por dois bugrinos, sobrinhos do Candreva (que era Ponte Preta até a espinha). André e Daniel Candrevinha recuperaram o ponto e fizeram com que o boteco voltasse, aos poucos, a reconquistar nome, fama e qualidade familiar. Em reforma, o bar, porém, não vai perder características próprias – como o espelho de parede, que deve ter uns 40 anos.
E Zé Novo, a testemunha ocular, não nos deixa mentir: no momento em que o cumbuqueiro Bruno, o bugrino entre nós, cumprimentava o André e o Daniel pela opção futebolística, o retrato do Candreva despencou da parede sobre a mesa, quebrando copos e pratos. Vazios, felizmente. "Vamos parar de falar do Guarani", sugeriu o alvi-negro Lucas, no balcão. No que foi prontamente atendido.
Umbigos encostados na madeira velha, pedimos a tal da lingüiça caseira, a mesma servida no Bar da Lingüiça. Atrás de nós as bandeiras nacionais tremulavam ao vento, como que em reverência àquele sagrado ritual brasileiro da confraternização. Do lado de fora, além do frio, ficou a sobriedade, esperando em vão o nosso retorno.
veja o gente que bebe do Candrevas
