Bar Pátria
Rua Barão de Atibaia, 646,
Guanabara
Tel (19) 3233-7628



abrideira 19h10
saideira 23h11



 



 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Glória eterna ao Pátria Futebol Clube! Depois do brinde, os pastéis de carne do Carlinhos e a porção de pele de frango frita, respingada com limãozinho. O bar do mês, eleito pelo Cumbuca como um dos melhores esconderijos da cidade, é também a sede – a última sobrevivente intacta – do time de futebol amador mais querido de Campinas. O “mais querido” fica por nossa conta – a pátria antes de tudo, já dizia o poeta cubano José Martí.

Antes de enveredar pela leitura, o leitor deve saber que se trata de um bar freqüentado pela mesma clientela de sempre: fiel, boca-suja e ciumenta de seu espaço. Portanto, nada de levar seu time inteiro de futebol para conhecer o bar. Se forem em grupo, avisem antes o Romualdo Lagoa ou o Carlinhos de Moraes, presidente e vice-presidente do clube, respectivamente. Isso porque a comida não é muita e você pode voltar para casa maldizendo um lugar que é poesia pura.

O Pátria (como time de futebol) foi fundado em 1937. O bar, localizado quase na esquina da Avenida Brasil – e que lugar mais sugestivo para um bar com esse nome – nasceu anos depois, como necessidade de criar um caixa para a compra de chuteiras, uniformes e bolas. Além, é claro, de servir combustível aos craques. O Pátria é do tempo em que jogador de futebol podia beber sem culpa, porque todos bebiam e a palavra academia era usada apenas para se referir ao Palmeiras do Ademir da Guia.

Mas voltando à vaca fria, o bar é um perfeito esconderijo. Não existe uma placa na entrada casa que indique a existência de um boteco. O desconhecido que chega à porta pela primeira vez corre o risco de achar que o bar não existe mais. A entrada é por um corredor escuro, cujo único sinal de vida é uma luz azulada, vinda do fundo. Não tenha medo, meta as caras, a freguesia é feia, mas não morde. Pelo contrário, você será recebido muito bem – isso se gostar de discutir futebol, é claro.

Adendo para o futebol: este é o papo corrente na casa, do primeiro ao último minuto de funcionamento. Como o bar é reduto de ex-jogadores do Pátria, ex-torcedores e até ex-árbitros, fala-se o tempo todo das glórias do passado – causos ótimos, como o do goleiro que era surdo-mudo, por exemplo – e da atual situação do Guarani e da Ponte Preta. Desconsiderando o formato das mesinhas de plástico, o Pátria é uma autêntica mesa-redonda, com direito a palavrões e ânimos exaltados. Um bar que poderia estar nas filmagens de Boleiros, aquele excelente filme do Ugo Giorgetti.

Como dito no começo, não há um petisco ou um prato que seja servido diariamente. Tirante os pastéis feitos pelo Carlinhos ou aquela salsicha com ovo de codorna boiando no vinagre, come-se quando a freguesia resolve inventar moda. Às terças-feiras, mais freqüentemente, alguém arma uma reunião regada à cerveja e garante o tira-gosto. Pode ser um prato de pele de frango frita, uma lingüiça caseira, um sanduíche fatiado ou, quando o povo está animado, uma leitoa, um pernil, uma picanha. Se for levar a família inteira, é de bom tom levar também alguma contribuição para o rango das terças à noite. Cozinheiros não faltarão para dar-lhe o destino merecido.

Ótimo também é o clima do lugar, gerado não só pela simpatia do pessoal, mas também pela decoração naïf nas paredes, centradas no azul e no branco (as cores do time) e em objetos que datam da fundação do clube, como as taças ganhas nos primeiros torneios e fotos dos heróicos jogadores que deram a vida pela pátria nos gramados – e sem ganhar um só centavo por isso. O idealismo saiu do campo e foi para trás do balcão. Só mesmo o idealismo pode explicar a existência de um bar onde os clientes praticamente pagam para não deixar baixar as portas. A vocação do Pátria Futebol Clube para o heroísmo vem dos tempos de ouro do futebol de várzea campineiro até os dias de hoje. Templo da amizade e da memória esportiva, o bar mantém viva a esperança de que um dia a humanidade deixe de ser tão individualista e volte a viver como um time de amigos leais.




Come-se o que tem no dia.




 

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