Toda cidade tem um boteco tradicional, histórico, capitaneado por um dono mais popular do que nota de 1 Real. Um boteco cuja fama não conhece fronteiras e é capaz de atrair gente de todas as partes do País, inclusive gente famosa. Em Campinas este boteco é o Bar do Pachola, que fica dentro do Mercado Municipal. O lugar é minúsculo. Se o Vicentão e o Emil Rached resolvem beber por lá no mesmo dia, não cabe mais ninguém. Além de minúsculo, o boteco é abafado, barulhento e sujinho. O que explica, então, tamanho cartaz? Por que as pessoas insistem em freqüentá-lo? Fomos tentar descobrir qual é o segredo do Pachola. Afinal, 96 anos de tradição não são pra qualquer um. O boteco está aberto desde 1908. E mudou muito pouco de lá para cá.
Um dos segredos está na simplicidade. Quem não gosta de tomar uma cervejinha gelada num ambiente de mercado, ao lado de sacos de arroz e farinha, vassouras e baldes, bacalhau, carne seca, queijos, vinhos e mortadela, fumo de corda, canivete, manteiga de garrafa, vara de pesca, chapéu de palha, botinas, velas, defumadores e imagens de Zé Pelintra? O Bar do Pachola está cercado por esta atmosfera e recebe todo o tipo de gente: do mendigo ao prefeito, do médico ao taxista, do aposentado ao estudante. Todo bom campineiro que se preza já dividiu uma mesinha do Pachola com um desconhecido que se revelou, pouco depois, um amigo íntimo. É, porém, a comida sempre brasileira, a responsável por prender tanta gente ao lugar. Costela, sardinha, moela, dobradinha, buchada, torresmo, rabada com angu, língua, mocotó, arroz carreteiro, moqueca, baião de dois. Se você está de dieta, afaste-se do Bar do Pachola.

Porçãozinha de Torresmo
A equipe do Cumbuca, já conhecedora do lugar, desdobrou-se para passar ao ébrio leitor todo o clima que reveste o boteco. Para isto, tivemos de ficar a tarde toda no recinto, bebendo e comendo tudo o que nos era oferecido pela Regina e pelo Sérgio, os atuais patrões da bodega. Depois de baixar um litro de cachaça “amarelinha” e limpar ½ caixa de Brahma, começamos a fazer as fotos deste ensaio. É preciso entrar no espírito da coisa para realizar uma boa reportagem. O dia, chuvoso na ocasião, terminou com nossa equipe cantando

Estufa repleta de petiscos (tudo light)
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
À noite a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece no sempre agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora
